inconstâncias #0: uma metamorfose ambulante

(Inconstância = 1. Particularidade ou condição do que ou da pessoa que é inconstante; desprovido de constância. 2. Ausência de perseverança; sem firmeza. 3. Que tende a mudar de ideia com facilidade; cujas atitudes, opiniões e/ou pontos de vista se alteram facilmente; instabilidade. 4. Que não possui nem demonstra lealdade; infidelidade.*)


Gosto de palavras que possuem mais de dois significados, pois, para mim, elas dão conta da complexidade da vida humana. Saber da existência delas deixa a minha passagem na Terra menos opressiva, uma vez que posso exercer meu direito de ser uma humana que possui muitos detalhes contraditórios que fazem sentido em algum momento (ou não).

Gosto da palavra inconstante, porque ela define meu eu na maior parte do tipo (principalmente os significados 1 e 3). Há quem prefira pessoas objetivas, estáveis, porque elas parecem fáceis de conviver, não têm muita confusão na cabeça. Entendo perfeitamente, inclusive incentivo a ser assim, a se aproximar de pessoas desse jeitinho. No entanto, não vou mentir: esse “caos” me agrada, pois ela provoca, motiva e inspira a minha criatividade e me deixa animada para experimentar e aprender (sobre) muitas coisas.

O que eu quero dizer com tudo isso? No momento em que escrevo esse texto, estou com muitas dúvidas, dentre elas, o motivo pelo qual continuo escrevendo em um blog, tendo em vista que o mundo quer algo mais rápido, objetivo, constante (algum dia escrevo sobre escrever na internet, redes sociais e afins). Porém, algo vem me angustiando ainda mais: reli alguns posts anteriores e simplesmente não consegui me ver neles. Possivelmente essa inconstância seja um fator importante para explicar essa situação.

Como resolver isso? Começando algo do zero.


No início de agosto criei o Conversa na Calçada, com o intuito de escrever sobre coisas que fugissem do formato resenha, mais precisamente: “… dicas, curiosidades, reflexões, descobertas e qualquer outra coisa relacionada ao universo artístico e do entretenimento (e, se der, aleatoriedades que rondam a dona desse espaço).” Pois bem. Já nessa época, eu apontava para as confusões e as trapalhadas que se passavam na minha cabeça e o descolamento da dona desse espaço com as postagens, e como esses pontos justificavam a ideia do CC. O problema é que o nome do quadro não tem muuuito a ver comigo, porém não quero excluir o conceito. Logo, achei necessário pegar o intuito do CC e colocar um novo título: inconstâncias. “BAITA MUDANÇA, HEIN, DONA LARISSA!?” Também achei!

Mesmo parecendo insignificante pra tu que tá do outro lado daí, te garanto que essa simples mudança de nome tirou uma pressão que eu mesma coloquei em cima de mim. Te explico: começar uma conversa é algo muuuuito complicado pra senhora desse blog, porque, na vida real, não sei nem o que conversar e nem consigo manter um diálogo por muito tempo. Pensei que usar o blog para “treinar” essa habilidade fosse mais fácil, até porque estou na internet. Lerdo engano! Tentei escrever o primeiro tópico do quadro e simplesmente travei (comecei a me questionar “esse assunto é interessante? será se dá um papo legal? e se não der?” etc.). Essa cobrança de buscar assuntos que eu não queria, tentar trazer várias referências e indicações pra deixar o post atrativo e inteligente me desmotivaram muito.

O blog nasceu com o intuito de não ser um lugar de cobranças externas e internas (já basta a vida universitária, seus prazos e exigências). Aqui, objetivo escrever sobre qualquer coisa que me instigue a fazer isso, de qualquer jeito, sem prazos e sem metas. A inconstância me faz lembrar o porquê da escrita ser muito importante na minha vida. Deixando claro: não pretendo ser escritora, porém encontrei na escrita uma maneira de ordenar meus pensamentos. E é muito bom ter um sossego da própria cabeça!

Assumir meu “mood inconstante” me permite pegar as dúvidas, as inquietações e as inspirações e transformá-las em algo que vai me orientar, me ensinar e me instigar a redigir sobre vários tópicos, tendo como pano de fundo algo que tem a ver com cinema, música e literatura, principalmente, mas não necessariamente. Provavelmente, meus escritos parecerão datados, incompletos, contraditórios, e está tudo bem! É mais legal ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 😛.

Espero que você, orientado leitor, não se perca nas minhas linhas de raciocínio, pois não vou conseguir te achar.

O que é que se tornou importante para mim? No entanto, o que quer que seja, é através de literatura que poderá talvez se manifestar.

Clarice Lispector¹

Ass.: uma garota interrompida.

01 de novembro, 2022.


* Definição do dicio.com.br.

¹ Citação do livro “Todas as Crônicas/Clarice Lispector” (2018).

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planejamento de leitura: não ficção

(Agradeço a Emilly, Felipe e Monick pela ideia do post de hoje.)

Caro leitor, você sente dificuldade em concluir livros de não ficção? Ou até mesmo dificuldade em começar a leitura desse gênero literário? Admito que, mesmo que uma sinopse me chame atenção, fico com preguiça de pegar o livro pra ler! Ok, a universidade tem culpa nisso, porque leio teoria TODO SANTO DIA (no momento que escrevo esse post, sou graduanda em Ciências Sociais). Chega um momento que até de livros de ficção eu fujo, por causa da quantidade de informações que absorvo com as leituras acadêmicas e da exaustão mental que elas me causam. Mas, minha formação acadêmica tem uma carga de leitura muito grande, e não só isso: é muito importante que eu busque e me aprofunde em alguns teóricos, principalmente naqueles que podem contribuir com a minha futura especialização — Sociologia da Arte (inclusive, aceito sugestões de leituras que tem a ver com essa área!!).

Antes, eu era muito desleixada com livros de não ficção. Começava a leitura e só parava quando dava vontade (as vezes, a vontade vinha na terceira página kkkk 😛 ). E já aconteceu de, numa dessas pausas, a leitura ficar com deus, pois eu não voltava de jeito nenhum, mesmo que o livro fosse ótimo, fácil de compreender, etc. “Não tenho tempo”, “tenho outras coisas pra ler” foram desculpas que usei várias vezes pra não retornar/não começar não ficções.

Como dito acima, minha formação necessita de bastante leitura e eu não devo ficar apenas nos textos que os professores me mandam, porque eles são só uma base — muito importantes, claro! Dessa forma, resolvi criar vergonha na cara e organizar um planejamento de leitura para livros de não ficção, com o objetivo de encaixá-los na minha rotina, e evitar futuros pretextos e, com isso, eu ter mais embasamentos teóricos. Resolvi deixar registrado no blog, pois pode ser que alguém aí também tenha motivos e problemas para começar ou terminar não ficções.

LEMBRANDO QUE: PODE SER QUE ESSA ORGANIZAÇÃO NÃO FUNCIONE PRA VOCÊ. MASSSS, PODE SER QUE SIRVA DE BASE PRA VOCÊ MONTAR SUA PRÓPRIA DISTRIBUIÇÃO.

Não, meu cronograma de leitura não tem nada de especial. Dou uma folheada pra saber quantos capítulos tem o livro escolhido e distribuo-os de acordo com o prazo que eu estabeleci (ou que foi estabelecido pra mim). Deixar essa distribuição em algum lugar tornou muito mais eficiente pra mim do que eu só lembrar que “ah! tenho um capítulo tal pra ler hoje”. Não sei porquê, mas quando ANOTO as coisas que preciso fazer no dia, as chances de eu concluir tudo são muito altas.

Exemplo de cronograma para a leitura de Psicopolítica, do Byung-Chul Han:

print de uma parte da plataforma Notion

Se o capítulo for grande/denso, eu divido as páginas por turnos (manhã-tarde-noite), de acordo com a seguinte divisão:

  1. Se eu tiver disponibilidade nos três turnos, divido o número de páginas do capítulo por 3 e distribuo o resultado da divisão pra cada turno.
  2. Se eu só tiver folga durante a tarde e a noite, por exemplo, divido por 2.
  3. E se apenas durante a noite é que vou conseguir ler, faço pomodoro (se a escrita do ser humano for densa, leio por 15min, no máximo 20min, e dou uma pausa de 5min. Se for tranquila, leio 25min e dou uma pausa de 5min).

Obs¹: Por causa dessa divisão, é provável que o raciocínio seja interrompido. Pra recuperá-lo, releio os dois parágrafos anteriores do que foi interrompido.

Obs²: Se o capítulo possuir subcapítulos, eu distribuo eles pelos turnos, usando a mesma divisão acima.

Só as obrigações diárias e o tempo disponível vão dizer como vou distribuí-las.

Ainda sobre não ficção/texto teórico:

  1. Fichamento de texto: eu ficho textos teóricos apenas pegando as citações principais e colocando a página do lado da citação. Exemplo: “‘Fulano sei que lá fez não sei o quê descobriu que blá blá blá’ (p. 666)”. Se o texto for grande, eu leio uma página/um subcapítulo, em seguida copio a citação/as citações. Se o texto for pequeno, leio todo o texto e depois faço o fichamento. Muuuuito mais rápido, pego o que é realmente importante e não vou precisar voltar no texto pra saber o que fulano tava falando porquê já está lá. Uso o GoogleDocs pra anotar as citações, baixo o arquivo e renomeio pra SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. Ano de publicação e armazeno no GoogleDrive, em pastas nomeadas assim: SOBRENOME, Nome.
  2. Talvez o que vou escrever agora seja a coisa mais óbvia do mundo, mas eu sei que nem todo mundo faz isso: antes de ler textos teóricos, eu pesquiso sobre o autor/autora; seus principais estudos e conceitos; e suas referências teóricas. Afinal, quem escreveu aquilo estava dentro de um determinado contexto histórico, social, econômico, etc. e isso reflete na sua escrita, na sua maneira de interpretar o mundo. É essencial pra absorver melhor o que ele quer dizer e assim concordar/discordar sem cometer anacronismos. Isso vale pra ficções também, ok?
  3. Quando eu acho o texto chato, denso, e outros adjetivos ruins, eu assisto lives de “study with me“/”read with me” na Twitch e no Youtube! Recomendo muito, pois também funcionam como pomodoros, porém com uma pessoa do outro lado da tela moderando. Nos intervalos, tem conversa e outras interações. É muito divertido e deixa o momento de leitura menos solitário.

Por enquanto, é isso. Como eu avisei lá em cima, pode ser que não funcione pra você, massss não custa nada tentar, né??? Qualquer dúvida, pode deixar nos comentários do post ou no Instagram.

E se alguém aí já é expert ou está se aventurando na literatura de não ficção me conta seus hábitos de leitura e já recomenda algum livro aí!

Ass.: Uma garota interrompida.

14 de maio, 2022.

Travessias: um projeto pessoal

Para que você se acostume com a bagunça que é esse blog, por causa das postagens completamente aleatórias, o post de hoje vai ser a introdução de um projeto pessoal que venho pensando há alguns anos, mas que, até então, a motivação e a oportunidade não se fizeram presentes. Agora vai!

O PROJETO

Nomeei de Travessias (acho essa palavra linda!) meu projeto pessoal que é completamente inspirado no projeto 198 Livros, do blog Viaggiando, que conheci lá em 2019, e venho acompanhando até então. Também pensei em viajar o mundo por meio dos livros, porém não tenho dinheiro pra comprar ebook/livro físico, meu inglês é de nível básico, e por isso lento, e a universidade com suas demandas não me permitem aceitar essa carona.

MAS, como a dona desse lugar não gosta só de livros, e percebeu que os filmes que busca assistir são dirigidos, majoritariamente, por diretores do eixo Europa-América do Norte, resolvi me propor a assistir pelo menos 1 filme de cada país membro da ONU (aqui está a lista), além de Kosovo, Taiwan, Saara Ocidental, Palestina e Vaticano (no total, são 198 países). Obviamente, para não ser tendenciosa, a ordem dos lugares será feita pelo Sorteador — listei todos os 198 países em uma tabela salva no meu computador, em ordem alfabética, de 1 a 198 (claro!).

O que vou priorizar na escolha dos filmes é que eles não sejam tão conhecidos por aí. Outro critério que vou tentar levar muito à sério é que sejam dirigidos por mulheres, pois é algo que peco muito (vi poucos filmes com mulheres na direção). Porém, isso não é um regra, já que a sinopse é algo decisivo pra mim.

Anote aí: no último sábado do mês você vai saber qual foi o longa escolhido para representar o país e minhas opiniões sobre o dito cujo. E também vai saber o próximo lugar que vou me aventurar. Se acontecer de eu não encontrar um filme de tal país, este ficará reservado até eu encontrar um representante. O sorteio será refeito.

O país que vai inaugurar esse projeto é a Suíça. E aí, bora embarcar??? #BegiTravessias lá no Instagram! Se for participar, marca o @brilhoeternogarotainterrompida no instagram e/ou use a hashtag do projeto por lá.

Lista dos filmes no Letterboxd e no Filmow.

Se tu gosta de projetos, venha conhecer o Brasil no 1001 livros.

LISTA DOS PAÍSES QUE JÁ ASSISTI (clique no nome do filme pra ir direto pro post com comentários).

PAÍSFILMEDIRETOR (A)ANO
1. SUÍÇAMulheres DivinasPetra Biondina Volpe2017
2. IRAQUE(em breve)(em breve)(em breve)